Março Lilás: prevenção, diagnóstico precoce e o papel da pesquisa no combate ao câncer do colo do útero
Estamos no mês de março, um mês dedicado às mulheres! No dia 8 de março celebramos o Dia Internacional da Mulher, que marca a luta histórica por igualdade de gênero, e temos o mês inteirinho dedicado à prevenção do câncer de colo do útero: o Março Lilás.
Você sabe o que é essa doença e como preveni-la?
O câncer de colo do útero é um tumor maligno (câncer) da parte inferior do útero, aquela que faz projeção para a cavidade vaginal e que é visualizada pelo médico durante o exame ginecológico (colposcopia).
Esse câncer, infelizmente, é muito frequente no Brasil, ocupando a terceira posição, quando se exclui o câncer de pele não melanoma, perdendo apenas para o câncer de mama e o câncer colorretal (intestino).
A parte mais triste de tudo isso é que esse tumor pode ser evitado se diagnosticado ainda nas lesões precursoras (nas fases iniciais). Com a vacina e a possibilidade de diagnóstico precoce, não era para tantas mulheres sofrerem com essa doença e terem suas vidas ceifadas por causa desse tumor!
É para conscientizar a todos de que o Março Lilás nasceu
O câncer de colo do útero, em cerca de 90% dos casos, está associado à infecção persistente pelo HPV de alto risco, um vírus sexualmente transmissível.
A vacina contra o HPV, disponibilizada gratuitamente pelo SUS para pessoas do sexo feminino e masculino de 9 a 14 anos, em dose única, protege contra os dois tipos virais (16 e 18) mais agressivos, reduzindo drasticamente as chances de ocorrência desse tumor.
Cabe ressaltar que a vacina contra o HPV também está disponível, gratuitamente, em três doses, para pessoas vivendo com HIV, transplantados de órgãos sólidos e de medula, além de pacientes oncológicos e vítimas de abuso sexual. Até os 14 anos são duas doses; acima dessa idade, até os 45 anos, três doses.
Cabe também chamar a atenção para o fato de que a vacinação não é importante apenas para a prevenção do câncer do colo do útero (cerca de 70%). Ela protege também contra a maioria dos cânceres anais, metade dos cânceres de pênis, vulva e vagina e cerca de 40% dos cânceres de cabeça e pescoço associados ao HPV.
Outra forma de prevenção é o rastreamento periódico de lesões precursoras do câncer com o exame preventivo, também conhecido como Papanicolaou. Este deve ser realizado periodicamente em todas as pessoas com útero, na faixa etária de 25 a 64 anos: anualmente e, após dois exames negativos para neoplasia, a cada três anos.
A periodicidade da realização desse exame é muito importante para que a prevenção aconteça. A demora na consulta ginecológica pode fazer com que o diagnóstico seja tardio e que o câncer seja encontrado em estágios avançados.
O diagnóstico precoce, portanto, é essencial para que o tratamento seja menos agressivo, aumentando as chances de cura para praticamente 100% dos casos. Cabe ressaltar que o câncer de colo do útero, nos estágios iniciais, é assintomático, sendo necessária a identificação das lesões por meio do exame preventivo ou pela colposcopia.
Atualmente, o Ministério da Saúde tem trabalhado para implementar um novo teste para a identificação da presença da infecção pelo HPV, com o objetivo de aumentar as chances de identificação precoce das pessoas que podem desenvolver esse câncer.
A nova proposta pretende mudar o rastreio, substituindo o exame preventivo por um método de biologia molecular. Até o momento, esse teste pode ser encontrado apenas em alguns estados, disponível para pessoas com atraso no rastreio citológico, mas a proposta é realizá-lo em todo o país e em todas as pessoas com útero a cada cinco anos.
Tais mudanças só são possíveis com a compreensão da evolução das doenças e com o desenvolvimento de exames laboratoriais, algo possível somente com a pesquisa.
É a pesquisa que possibilita compreender a doença e desenvolver estratégias de vacinação, diagnóstico, tratamento e cura.
Na ReMPTO, está em desenvolvimento um projeto de validação da imunomarcação da RAP1-GTPase como marcador prognóstico para o câncer de colo do útero. Essa iniciativa busca identificar um novo biomarcador capaz de auxiliar na definição do prognóstico, permitindo ao médico avaliar o risco de progressão da doença e apoiar decisões clínicas mais precisas.
Essa tecnologia contribui para o avanço da pesquisa científica e tecnológica em Minas Gerais e consolida a ReMPTO como um espaço estratégico de geração de conhecimento em ciência, tecnologia e inovação, impulsionando o desenvolvimento de abordagens terapêuticas mais precisas.

Texto original e contribuições técnicas de:
Maria Gabrielle de Lima Rocha –
Professora do Curso de Farmácia da UFMG
e Membro da Rede Mineira de Pesquisa Translacional em Oncologia.






