Câncer: da prevenção à política pública o papel da pesquisa translacional

Globalmente, o câncer configura-se como um dos maiores desafios contemporâneos em saúde pública. A elevada carga de mortalidade associada à doença impõe um impacto expressivo não apenas aos sistemas de saúde, mas também às esferas social e econômica.

 

Evidências científicas demonstram que o aumento significativo da incidência de câncer nas últimas décadas está fortemente associado a fatores de risco potencialmente modificáveis, como tabagismo, alimentação inadequada, consumo excessivo de álcool, exposições ocupacionais e poluição ambiental.

 

Contudo, o câncer não começa no diagnóstico, a prevenção vem antes.

 

A prevenção do câncer compreende diferentes níveis de atuação:

●     a prevenção primária, que busca impedir o desenvolvimento tumoral;

●     a prevenção secundária, voltada à detecção precoce por meio de estratégias de rastreamento e diagnóstico oportuno;

●     a prevenção terciária, que visa reduzir o risco de recorrência, melhorar a resposta terapêutica e prolongar a sobrevida dos pacientes.

 

Nesse contexto, a detecção precoce associada ao acesso oportuno ao tratamento adequado está diretamente relacionada a melhores taxas de resposta terapêutica, aumento da sobrevida e redução da morbidade.

 

Embora terapias convencionais, como quimioterapia e radioterapia, permaneçam fundamentais no tratamento oncológico, suas limitações tornam-se evidentes diante da complexidade biológica e da heterogeneidade tumoral. A oncologia moderna, portanto, incorpora abordagens como terapias direcionadas e imunoterapia, ampliando as possibilidades terapêuticas ao explorar mecanismos moleculares específicos e ao potencializar a resposta do sistema imunológico contra o câncer.

 

A redução da mortalidade e o aumento da sobrevida, entretanto, não dependem exclusivamente de fatores clínicos. Determinantes sociais, como condições socioeconômicas, desigualdades étnicas e acesso aos serviços de saúde, exercem influência significativa nos desfechos oncológicos e reforçam a necessidade de políticas públicas integradas e baseadas em evidências.

 

É nesse cenário que a Rede Mineira de Pesquisa Translacional em Oncologia (ReMPTO) se consolida como um elo estratégico entre pesquisadores, profissionais de saúde, gestores e instituições. Ao integrar pesquisa básica, clínica e populacional, a ReMPTO contribui para a geração de evidências robustas, a avaliação de tecnologias em saúde, o fortalecimento de estratégias de prevenção e rastreamento e o apoio à formulação e ao aprimoramento de políticas públicas em oncologia.

Texto elaborado por Thalía Zózimo, Mestre em Genética, Bolsista BDCTI-I,
com supervisão científica da
Dra. Letícia da Conceição Braga.

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