ReMPTO: Rede Mineira de Pesquisa Translacional em Oncologia

ReMPTO: Rede Mineira de Pesquisa Translacional em Oncologia

A Rede Mineira de Pesquisa Translacional em Oncologia (ReMPTO) foi fundada em 2023 no âmbito do EDITAL 012/2023 – Redes Estruturantes de Pesquisa Científica ou de Desenvolvimento Tecnológico, uma iniciativa da FAPEMIG voltada a estimular a criação e o fortalecimento de redes de pesquisa em Minas Gerais.

Sob a coordenação da Dra. Letícia da Conceição Braga (Instituto Mário Penna) e o Dr. Sérgio Gomes da Silva (Hospital do Câncer de Muriaé – Fundação Cristiano Varella), a ReMPTO surgiu da integração de pesquisadores de diferentes instituições, como UFMG, FUNED, Fiocruz, Instituto Mário Penna e Fundação Cristiano Varella. 

Em 2023, os principais pesquisadores associados à rede foram:

  • Adriano de Paula Sabino
  • Agnaldo Lopes da Silva Filho
  • Clascídia Aparecida Furtado
  • Dawidson Assis Gomes
  • Edésia Martins Barros de Sousa
  • Érica Alessandra Rocha Alves
  • Leandro Augusto de Oliveira Barbosa
  • Letícia da Conceição Braga
  • Luciana Maria Silva Lopes
  • Maria Gabrielle de Lima Rocha
  • Maria Raquel Santos Carvalho
  • Matheus de Souza Gomes
  • Nayara Nascimento Toledo Silva
  • Sérgio Gomes da Silva
  • Soraya Torres Gaze Jangola
  • Telma Cristina Ferreira Fonseca

A abertura do segundo edital de apoio a projetos da rede possibilitou o estabelecimento de colaborações externas, entre elas com a Dra. Adriana Abalen Martins Dias e a Dra. Raquel Cardoso de Melo Minardi (UFMG), o Dr. Angel Mauricio Castro Gamero (Fundação de Apoio Cultural, Ensino, Pesquisa e Extensão de Alfenas) e a startup Oncotag, gerenciada pelo Dr. Pedro Henrique Villar Delfino.

A rede tem como missão promover a integração científica e tecnológica, ampliando o intercâmbio de conhecimento, a formação de parcerias estratégicas e a otimização do uso de recursos. Atualmente, reúne mais de 190 membros de 14 instituições, organizados em sete linhas de pesquisa:

  • Modulação imunológica pela microbiota tumoral
  • Genética molecular e predisposição ao câncer
  • Agentes bioativos de ação tumoral
  • Biomarcadores de diagnóstico e prognóstico
  • Banco de Tumores de Minas Gerais
  • Modelagem in silico e medicina preventiva
  • Nanotecnologia aplicada à oncologia

Em outubro de 2024, foi realizada a primeira Assembleia Geral da Rede na faculdade de Farmácia da UFMG, voltada à apresentação institucional e à divulgação dos projetos em desenvolvimento. O evento, aberto ao público, contou com palestras ministradas por membros da ReMPTO, fortalecendo a visibilidade e o engajamento científico.

A ReMPTO se consolida, assim, como um espaço de ciência colaborativa, comprometido em transformar descobertas em impacto real na vida dos pacientes e em contribuir para a equidade no Sistema Único de Saúde (SUS). Apesar de sua recente criação, a rede já demonstra resultados significativos, fortalecendo a pesquisa translacional em oncologia no estado de Minas Gerais.

Por Maria Gabrielle de Lima Rocha 6 de março de 2026
Estamos no mês de março, um mês dedicado às mulheres! No dia 8 de março celebramos o Dia Internacional da Mulher, que marca a luta histórica por igualdade de gênero, e temos o mês inteirinho dedicado à prevenção do câncer de colo do útero: o Março Lilás. Você sabe o que é essa doença e como preveni-la? O câncer de colo do útero é um tumor maligno (câncer) da parte inferior do útero, aquela que faz projeção para a cavidade vaginal e que é visualizada pelo médico durante o exame ginecológico (colposcopia). Esse câncer, infelizmente, é muito frequente no Brasil, ocupando a terceira posição, quando se exclui o câncer de pele não melanoma, perdendo apenas para o câncer de mama e o câncer colorretal (intestino). A parte mais triste de tudo isso é que esse tumor pode ser evitado se diagnosticado ainda nas lesões precursoras (nas fases iniciais). Com a vacina e a possibilidade de diagnóstico precoce, não era para tantas mulheres sofrerem com essa doença e terem suas vidas ceifadas por causa desse tumor! É para conscientizar a todos de que o Março Lilás nasceu O câncer de colo do útero, em cerca de 90% dos casos, está associado à infecção persistente pelo HPV de alto risco, um vírus sexualmente transmissível. A vacina contra o HPV, disponibilizada gratuitamente pelo SUS para pessoas do sexo feminino e masculino de 9 a 14 anos, em dose única, protege contra os dois tipos virais (16 e 18) mais agressivos, reduzindo drasticamente as chances de ocorrência desse tumor. Cabe ressaltar que a vacina contra o HPV também está disponível, gratuitamente, em três doses, para pessoas vivendo com HIV, transplantados de órgãos sólidos e de medula, além de pacientes oncológicos e vítimas de abuso sexual. Até os 14 anos são duas doses; acima dessa idade, até os 45 anos, três doses. Cabe também chamar a atenção para o fato de que a vacinação não é importante apenas para a prevenção do câncer do colo do útero (cerca de 70%). Ela protege também contra a maioria dos cânceres anais, metade dos cânceres de pênis, vulva e vagina e cerca de 40% dos cânceres de cabeça e pescoço associados ao HPV. Outra forma de prevenção é o rastreamento periódico de lesões precursoras do câncer com o exame preventivo, também conhecido como Papanicolaou. Este deve ser realizado periodicamente em todas as pessoas com útero, na faixa etária de 25 a 64 anos: anualmente e, após dois exames negativos para neoplasia, a cada três anos. A periodicidade da realização desse exame é muito importante para que a prevenção aconteça. A demora na consulta ginecológica pode fazer com que o diagnóstico seja tardio e que o câncer seja encontrado em estágios avançados. O diagnóstico precoce, portanto, é essencial para que o tratamento seja menos agressivo, aumentando as chances de cura para praticamente 100% dos casos. Cabe ressaltar que o câncer de colo do útero, nos estágios iniciais, é assintomático, sendo necessária a identificação das lesões por meio do exame preventivo ou pela colposcopia. Atualmente, o Ministério da Saúde tem trabalhado para implementar um novo teste para a identificação da presença da infecção pelo HPV, com o objetivo de aumentar as chances de identificação precoce das pessoas que podem desenvolver esse câncer. A nova proposta pretende mudar o rastreio, substituindo o exame preventivo por um método de biologia molecular. Até o momento, esse teste pode ser encontrado apenas em alguns estados, disponível para pessoas com atraso no rastreio citológico, mas a proposta é realizá-lo em todo o país e em todas as pessoas com útero a cada cinco anos. Tais mudanças só são possíveis com a compreensão da evolução das doenças e com o desenvolvimento de exames laboratoriais, algo possível somente com a pesquisa. É a pesquisa que possibilita compreender a doença e desenvolver estratégias de vacinação, diagnóstico, tratamento e cura. Na ReMPTO, está em desenvolvimento um projeto de validação da imunomarcação da RAP1-GTPase como marcador prognóstico para o câncer de colo do útero. Essa iniciativa busca identificar um novo biomarcador capaz de auxiliar na definição do prognóstico, permitindo ao médico avaliar o risco de progressão da doença e apoiar decisões clínicas mais precisas. Essa tecnologia contribui para o avanço da pesquisa científica e tecnológica em Minas Gerais e consolida a ReMPTO como um espaço estratégico de geração de conhecimento em ciência, tecnologia e inovação, impulsionando o desenvolvimento de abordagens terapêuticas mais precisas. 
11 de fevereiro de 2026
Globalmente, o câncer configura-se como um dos maiores desafios contemporâneos em saúde pública. A elevada carga de mortalidade associada à doença impõe um impacto expressivo não apenas aos sistemas de saúde, mas também às esferas social e econômica. Evidências científicas demonstram que o aumento significativo da incidência de câncer nas últimas décadas está fortemente associado a fatores de risco potencialmente modificáveis, como tabagismo, alimentação inadequada, consumo excessivo de álcool, exposições ocupacionais e poluição ambiental. Contudo, o câncer não começa no diagnóstico, a prevenção vem antes. A prevenção do câncer compreende diferentes níveis de atuação: ● a prevenção primária, que busca impedir o desenvolvimento tumoral; ● a prevenção secundária, voltada à detecção precoce por meio de estratégias de rastreamento e diagnóstico oportuno; ● a prevenção terciária, que visa reduzir o risco de recorrência, melhorar a resposta terapêutica e prolongar a sobrevida dos pacientes. Nesse contexto, a detecção precoce associada ao acesso oportuno ao tratamento adequado está diretamente relacionada a melhores taxas de resposta terapêutica, aumento da sobrevida e redução da morbidade. Embora terapias convencionais, como quimioterapia e radioterapia, permaneçam fundamentais no tratamento oncológico, suas limitações tornam-se evidentes diante da complexidade biológica e da heterogeneidade tumoral. A oncologia moderna, portanto, incorpora abordagens como terapias direcionadas e imunoterapia, ampliando as possibilidades terapêuticas ao explorar mecanismos moleculares específicos e ao potencializar a resposta do sistema imunológico contra o câncer. A redução da mortalidade e o aumento da sobrevida, entretanto, não dependem exclusivamente de fatores clínicos. Determinantes sociais, como condições socioeconômicas, desigualdades étnicas e acesso aos serviços de saúde, exercem influência significativa nos desfechos oncológicos e reforçam a necessidade de políticas públicas integradas e baseadas em evidências. É nesse cenário que a Rede Mineira de Pesquisa Translacional em Oncologia (ReMPTO) se consolida como um elo estratégico entre pesquisadores, profissionais de saúde, gestores e instituições. Ao integrar pesquisa básica, clínica e populacional, a ReMPTO contribui para a geração de evidências robustas, a avaliação de tecnologias em saúde, o fortalecimento de estratégias de prevenção e rastreamento e o apoio à formulação e ao aprimoramento de políticas públicas em oncologia.