Primeiro edital interno da ReMPTO aprova 10 subprojetos

Primeiro edital interno da ReMPTO aprova 10 subprojetos

A Rede Mineira de Pesquisa Translacional em Oncologia (ReMPTO) é uma iniciativa formada por pesquisadores de Minas Gerais com o propósito de aproximar a pesquisa oncológica básica e clínica, visando identificar e propor novas abordagens terapêuticas e laboratoriais. Suas áreas de atuação abrangem a identificação de biomarcadores moleculares, celulares e bioquímicos; a elucidação de mecanismos de ação de biocompostos; o desenvolvimento e a aplicação de métodos de Biologia Molecular e Celular; e a validação de nanoestruturas no contexto do câncer.

Com o objetivo de promover a integração entre diferentes áreas do conhecimento,  incluindo biologia molecular, nanotecnologia e ciências aplicadas, a ReMPTO lançou, em 2024, seu primeiro edital interno, destinado a apoiar projetos alinhados às metas estabelecidas em parceria com a FAPEMIG. Foram aprovados 10 subprojetos, com prazo de execução de até 12 meses, abrangendo desde nanotecnologia e biologia molecular até aplicações de inteligência artificial na oncologia.

Os pesquisadores contemplados foram: Dr. Adriano de Paula Sabino, Dr. Dawidson Assis Gomes, Dra. Érica Alessandra da Silva Rocha, Dra. Izabela Ferreira Gontijo, Dra. Maria Gabrielle de Lima, Dra. Nayara Nascimento Toledo, Dr. Sérgio Gomes da Silva e Dra. Telma Fonseca.

Entre os estudos aprovados destacam-se:

  • Avaliação da radiossensibilização de nanopartículas de ouro em modelos in vitro e in vivo
  • Uso de painéis multigênicos em neoplasias hematológicas
  • Caracterização molecular do câncer de pênis para identificação de novos biomarcadores
  • Expressão de ITPR3 e S100A16 em adenocarcinoma pancreático
  • Efeito do lipofosfoglicano de Leishmania major em câncer de mama
  • Desenvolvimento de nanoplataformas para biossensoriamento em oncologia
  • Investigação de polimorfismos no gene Timidilato Sintase e câncer cervical
  • Criação de um portal virtual de câncer em Minas Gerais com apoio de inteligência artificial
  • Algoritmo para análise histopatológica e genética em carcinoma ovariano
  • Validação da RAP1-GTPase como biomarcador no câncer do colo do útero

Com esta primeira chamada, a ReMPTO reafirma sua vocação para a ciência colaborativa e de impacto, fortalecendo o avanço da pesquisa translacional em oncologia no estado de Minas Gerais.

Por Maria Gabrielle de Lima Rocha 6 de março de 2026
Estamos no mês de março, um mês dedicado às mulheres! No dia 8 de março celebramos o Dia Internacional da Mulher, que marca a luta histórica por igualdade de gênero, e temos o mês inteirinho dedicado à prevenção do câncer de colo do útero: o Março Lilás. Você sabe o que é essa doença e como preveni-la? O câncer de colo do útero é um tumor maligno (câncer) da parte inferior do útero, aquela que faz projeção para a cavidade vaginal e que é visualizada pelo médico durante o exame ginecológico (colposcopia). Esse câncer, infelizmente, é muito frequente no Brasil, ocupando a terceira posição, quando se exclui o câncer de pele não melanoma, perdendo apenas para o câncer de mama e o câncer colorretal (intestino). A parte mais triste de tudo isso é que esse tumor pode ser evitado se diagnosticado ainda nas lesões precursoras (nas fases iniciais). Com a vacina e a possibilidade de diagnóstico precoce, não era para tantas mulheres sofrerem com essa doença e terem suas vidas ceifadas por causa desse tumor! É para conscientizar a todos de que o Março Lilás nasceu O câncer de colo do útero, em cerca de 90% dos casos, está associado à infecção persistente pelo HPV de alto risco, um vírus sexualmente transmissível. A vacina contra o HPV, disponibilizada gratuitamente pelo SUS para pessoas do sexo feminino e masculino de 9 a 14 anos, em dose única, protege contra os dois tipos virais (16 e 18) mais agressivos, reduzindo drasticamente as chances de ocorrência desse tumor. Cabe ressaltar que a vacina contra o HPV também está disponível, gratuitamente, em três doses, para pessoas vivendo com HIV, transplantados de órgãos sólidos e de medula, além de pacientes oncológicos e vítimas de abuso sexual. Até os 14 anos são duas doses; acima dessa idade, até os 45 anos, três doses. Cabe também chamar a atenção para o fato de que a vacinação não é importante apenas para a prevenção do câncer do colo do útero (cerca de 70%). Ela protege também contra a maioria dos cânceres anais, metade dos cânceres de pênis, vulva e vagina e cerca de 40% dos cânceres de cabeça e pescoço associados ao HPV. Outra forma de prevenção é o rastreamento periódico de lesões precursoras do câncer com o exame preventivo, também conhecido como Papanicolaou. Este deve ser realizado periodicamente em todas as pessoas com útero, na faixa etária de 25 a 64 anos: anualmente e, após dois exames negativos para neoplasia, a cada três anos. A periodicidade da realização desse exame é muito importante para que a prevenção aconteça. A demora na consulta ginecológica pode fazer com que o diagnóstico seja tardio e que o câncer seja encontrado em estágios avançados. O diagnóstico precoce, portanto, é essencial para que o tratamento seja menos agressivo, aumentando as chances de cura para praticamente 100% dos casos. Cabe ressaltar que o câncer de colo do útero, nos estágios iniciais, é assintomático, sendo necessária a identificação das lesões por meio do exame preventivo ou pela colposcopia. Atualmente, o Ministério da Saúde tem trabalhado para implementar um novo teste para a identificação da presença da infecção pelo HPV, com o objetivo de aumentar as chances de identificação precoce das pessoas que podem desenvolver esse câncer. A nova proposta pretende mudar o rastreio, substituindo o exame preventivo por um método de biologia molecular. Até o momento, esse teste pode ser encontrado apenas em alguns estados, disponível para pessoas com atraso no rastreio citológico, mas a proposta é realizá-lo em todo o país e em todas as pessoas com útero a cada cinco anos. Tais mudanças só são possíveis com a compreensão da evolução das doenças e com o desenvolvimento de exames laboratoriais, algo possível somente com a pesquisa. É a pesquisa que possibilita compreender a doença e desenvolver estratégias de vacinação, diagnóstico, tratamento e cura. Na ReMPTO, está em desenvolvimento um projeto de validação da imunomarcação da RAP1-GTPase como marcador prognóstico para o câncer de colo do útero. Essa iniciativa busca identificar um novo biomarcador capaz de auxiliar na definição do prognóstico, permitindo ao médico avaliar o risco de progressão da doença e apoiar decisões clínicas mais precisas. Essa tecnologia contribui para o avanço da pesquisa científica e tecnológica em Minas Gerais e consolida a ReMPTO como um espaço estratégico de geração de conhecimento em ciência, tecnologia e inovação, impulsionando o desenvolvimento de abordagens terapêuticas mais precisas. 
11 de fevereiro de 2026
Globalmente, o câncer configura-se como um dos maiores desafios contemporâneos em saúde pública. A elevada carga de mortalidade associada à doença impõe um impacto expressivo não apenas aos sistemas de saúde, mas também às esferas social e econômica. Evidências científicas demonstram que o aumento significativo da incidência de câncer nas últimas décadas está fortemente associado a fatores de risco potencialmente modificáveis, como tabagismo, alimentação inadequada, consumo excessivo de álcool, exposições ocupacionais e poluição ambiental. Contudo, o câncer não começa no diagnóstico, a prevenção vem antes. A prevenção do câncer compreende diferentes níveis de atuação: ● a prevenção primária, que busca impedir o desenvolvimento tumoral; ● a prevenção secundária, voltada à detecção precoce por meio de estratégias de rastreamento e diagnóstico oportuno; ● a prevenção terciária, que visa reduzir o risco de recorrência, melhorar a resposta terapêutica e prolongar a sobrevida dos pacientes. Nesse contexto, a detecção precoce associada ao acesso oportuno ao tratamento adequado está diretamente relacionada a melhores taxas de resposta terapêutica, aumento da sobrevida e redução da morbidade. Embora terapias convencionais, como quimioterapia e radioterapia, permaneçam fundamentais no tratamento oncológico, suas limitações tornam-se evidentes diante da complexidade biológica e da heterogeneidade tumoral. A oncologia moderna, portanto, incorpora abordagens como terapias direcionadas e imunoterapia, ampliando as possibilidades terapêuticas ao explorar mecanismos moleculares específicos e ao potencializar a resposta do sistema imunológico contra o câncer. A redução da mortalidade e o aumento da sobrevida, entretanto, não dependem exclusivamente de fatores clínicos. Determinantes sociais, como condições socioeconômicas, desigualdades étnicas e acesso aos serviços de saúde, exercem influência significativa nos desfechos oncológicos e reforçam a necessidade de políticas públicas integradas e baseadas em evidências. É nesse cenário que a Rede Mineira de Pesquisa Translacional em Oncologia (ReMPTO) se consolida como um elo estratégico entre pesquisadores, profissionais de saúde, gestores e instituições. Ao integrar pesquisa básica, clínica e populacional, a ReMPTO contribui para a geração de evidências robustas, a avaliação de tecnologias em saúde, o fortalecimento de estratégias de prevenção e rastreamento e o apoio à formulação e ao aprimoramento de políticas públicas em oncologia.